Feira da Saúde reúne atendimentos gratuitos e conscientização ambiental 

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7 de agosto de 2026
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Em comemoração aos 127 anos do Belenzinho, a Feira da Saúde realizada no dia 25, no Largo São José do Belém, reuniu centenas de moradores em um dia dedicado à prevenção, à qualidade de vida e à conscientização ambiental. Com atendimento gratuito, o evento disponibilizou diversos serviços voltados à promoção da saúde, aproximando a população de profissionais e instituições parceiras.

Durante toda a programação, os visitantes tiveram acesso à aferição de pressão arterial, teste de glicemia, avaliação oftalmológica, avaliação odontológica, vacinação, ausculta pulmonar e cardíaca, auriculoterapia e atendimentos psicológicos. As atividades permitiram que moradores realizassem exames preventivos e recebessem orientações sobre hábitos saudáveis e acompanhamento médico.

“A Sociedade Amigos do Belém já existe há 74 anos e hoje, estamos celebrando os 127 anos do Belém, com essa ação em duas áreas importantes: a social e a do meio ambiente. Temos muitos participantes, diretores de escola, a Farmácia Sinete que hoje está medindo a pressão  e a glicemia do público gratuitamente, enfim. O intuito é ajudar a população a ter mais qualidade de vida, atenta à real situação de sua saúde e mostrar princípios relacionados ao meio ambiente que podem ser praticados dentro de casa”, disse o presidente da Sociedade Amigos do Belém, Adailton Alves. 

Muita gente foi encaminhada à UBS Belenzinho, por apresentar taxas glicêmicas ou de pressão acima do normal: “Duas senhoras passaram agora, por aqui e já foram pra UBS, porque estavam com glicemia acima de 350”, afirmou um dos médicos presentes.  

Durante o dia, foram milhares os atendimentos de saúde realizados: “Houve uma alta demanda também para vacinação, principalmente da gripe e para atualização da carteira de vacinação, para completar a dose que está faltando. O público é diverso, estamos atendendo desde jovens e crianças até idosos. Contudo, também estamos atendendo em outras frentes de saúde. Por exemplo, orientação de higiene bucal, além de auriculoterapia, tabagismo, terapia chinesa, dentre outros. E a procura só cresce!”, esclarece a dentista Jamile, da UBS Belenzinho.

Presente na fila da vacina, dona Arlete Novaes, 76, moradora há 43 anos no bairro, estava animada para tomar a sua dose: “Eu quis aproveitar, porque precisava colocar a minha carteira em dia. Assim, eu posso ‘saracotear’ por aí sem me preocupar com resfriado bobo, vai que eu arrumo um namorado, eu tô nova, não tô?!”, brincou a moradora. 

Desenvolvimento Sustentável
Além dos cuidados com a saúde, a feira também abriu espaço para ações de educação ambiental. A Poiato Recicla e a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis da Zona Leste orientaram à comunidade sobre como proceder com o descarte adequado de lixo e também sobre as múltiplas formas de trabalhar com o mesmo. 

Sabrina Silva, secretária do Conseg Belém e conselheira do Meio Ambiente, participou da feira no intuito de levar maiores esclarecimentos ao seu condomínio: “Eu vim aqui pra ajudar e também me interessei para saber quais são os materiais de coleta seletiva que podemos separar em casa, e assim eu posso postar nos grupos, porque eu já consegui no meu prédio 4 caçambas grandes para fazer essa separação. Assim, cada qual faz a sua parte, né?”, afirmou.

Representando a Cooperativa, Sônia Martinez, jornalista, explicou a importância da coleta seletiva e da conscientização da comunidade: “Infelizmente, as pessoas não sabem ainda fazer uma coleta seletiva, ou seja, separar os resíduos adequadamente e o nosso trabalho, hoje, aqui, é justamente esse. Para se ter uma ideia, um pouco mais cedo, veio uma senhora que não sabia o que é ‘rejeito’. Ela me disse: ‘Ah, eu separo o lixo no meu condomínio só em duas frações: o seco e o orgânico com tudo junto’. E assim está errado! Nós precisamos separar o reciclável, das sobras de alimento, porque estas sobras a gente faz compostagem e o que não dá para fazer nada, esse sim é o rejeito. Esse é o nosso trabalho, ensinar o povo a fazer a separação do seu lixo de forma adequada”.

Separação do lixo
A Cooperativa ensina a fazer a separação do lixo em 3 partes, seguindo o princípio das três frações mínimas, sendo elas:

Orgânico: Restos de alimentos, folhas e materiais compostáveis que se transformam em adubo.

Recicláveis: Embalagens em geral, produzidas por plástico, papel, papelão, metal e vidro. Estas, devem ser encaminhadas à Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis, fortalecendo a economia circular.

Rejeitos: Papel higiênico e fraldas descartáveis são exemplos e devem ser dispostos em aterros sanitários.

Bitucas de Cigarro: Arte e Construção Civil
Entre os participantes esteve o empreendedor Marcos Poiato, fundador da Poiato Recicla, que apresentou ao público o trabalho desenvolvido pela empresa na reciclagem de bitucas de cigarro. 

Consideradas um dos resíduos mais descartados no mundo, as bitucas passam por um processo de descontaminação e são transformadas em massa celulósica, utilizada na fabricação de papel artesanal, objetos decorativos e até componentes empregados na construção civil. 

“O cigarro é o resíduo mais encontrado no mundo e hoje, o Brasil está em 4º lugar como o país que mais descarta bitucas em praias. A Poiato é a única usina com validação científica, com coletores adequados e cujas bitucas de cigarro, transformamos em massa celulósica, como material de apoio em escolas, empresas, ateliês e já temos milhares de clientes usando esse material. A massa é destinada gratuitamente para um trabalho de inclusão social e geração de renda”.

Segundo Poiato, até na arquitetura, a massa celulósica já é empregada: “Quem vê aqui, nessa mesa, os bloquinhos, os bibelôs, pensa que com esse material reciclado, essas são as únicas possibilidades de uso, mas não. Com essa massa celulósica, já fizemos caixas de som, pranchas de surf, até mesmo duas pistas de skate, que já são utilizadas, com alta durabilidade e resistência. Uma delas se encontra na cidade de Aiuruoca, em Minas Gerais e já tem dois anos, enquanto a outra, em Ubatuba, se encontra em uma pousada, com mais de um ano e meio de uso. E ambas estão inteiras, sem qualquer fissura ou estrago”.  

Sobre a revolução que a massa do papel reciclado pela bituca causa no mercado, Poiato explica: “Estamos falando de algo inovador, que já se encontra em estudos no mundo. Muita gente já está analisando os impactos da massa celulósica na economia, mas sobretudo no meio ambiente. A Poiato, repito, é a única usina no mundo com validação científica para uso e aplicação, mas sabemos que ferro brita e cimento são altamente poluentes no meio ambiente. Na construção civil, pode-se reduzir em até 37% o uso desses recursos com a massa celulósica. Sem dúvida, um grande impacto positivo, sem contar econômico”, concluiu. 

Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.

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